Delação de Palocci: em cada mil MP dos governos PT, em 900 houve emendas para cobrar propina

DElação de Palocci, Lula, Dilma. Foto/Reprodução
DElação de Palocci, Lula, Dilma. Foto/Reprodução

Anexo de delação premiada do ex-ministro de Lula, Antonio Palocci, divulgado pelo juiz federal Sergio Moro nesta segunda-feira, ex-ministro diz que ‘venda de emendas se tornou corriqueira’, e que houve propina em 90% das MPs nos governos Lula e Dilma.

No trecho da delação do ex-ministro, tornada pública neste primeiro de outubro, pelo 1º, pelo juiz federal Sergio Moro, o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil citou sete ‘modalidades’ de cobrança de propina, e as enumerou de “A” a “G”. Uma delas trata da “venda de emendas legislativas”, no qual ele faz uma estimativa assombrosa: “das mil medidas provisórias editadas nos quatro governos do PT, em pelo menos novecentas houve tradução de emendas exóticas em propina”.

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“A prática de venda de emendas se tornou corriqueira, particularmente na venda de emendas parlamentares para medidas provisórias vindas dos governos, casos em que algumas MPs já contam com algum tipo de vício destinado a atender financiadores específicos e saem do Congresso Nacional com a extensão do benefício ilícito a diversos outros grupos privados; que em outras oportunidades a MP que não possui vício algum e ao tramitar pelo Congresso Nacional é acrescida de dispositivos que visam beneficiar financiadores”, afirmou Palocci.

Delação de Palocci, veja o disse o ex-ministro

  • O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou Paulo Roberto Costa para a Petrobras com o objetivo de “garantir ilicitudes” na estatal
  • Lula usou o pré-sal para conseguir dinheiro para campanhas do PT
  • As duas campanhas de Dilma Rousseff para a Presidência custaram R$ 1,4 bilhão, mais do que foi declarado à Justiça Eleitoral
  • O MDB “exigiu” de Lula a diretoria Internacional da Petrobras e chegou a travar votações no Congresso para fazer pressão
  • Pelo menos 900 das mil medidas provisórias editadas nos quatro governos do PT envolveram propinas

Em nota, a defesa do ex-presidente Lula afirmou que “Palocci mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova”. Os advogados dizem ainda que a decisão de Moro “apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente” e que o juiz “tem o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados”.

Delação de Palocci: de cada mil MP dos governo PT, em 900 houve emendas para obter propina. Foto/Reprodução
Delação de Palocci: de cada mil MP dos governo PT, em 900 houve emendas para obter propina. Foto/Reprodução

A ex-presidente Dilma divulgou nota na qual afirma que o valor apontado por Palocci é .“absolutamente falso” “Tal afirmação, pela leviandade e oportunismo delirantes, só permite uma conclusão: que o senhor Palocci saiba onde se encontra R$ 1 bilhão, já que o valor declarado e aprovado pelo TSE é cerca de um terço disso”, diz o texto. Ela chama a quebra de sigilo da delação do ex-ministro de “factóide eleitoral” (veja íntegras mais abaixo).

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que Moro “não podia deixar de participar do processo eleitoral” e que ele tenta “pela enésima vez destruir Lula”.